giovedì 2 aprile 2015

Pode entar? Traduzione in portoghese di un memorabile viaggio del 2009...




2009 - Pode entrar?
“Voz Amiga”  Dezembro 2009
Blog http://psergioit,myblog.it 11 de Novembro de 1999

Na entrada de uma casa brasileira, para se fazer  anunciar, se bate palmas. Depois a pergunta: “Pode entrar?” e a inevitável resposta é “Sim, pode!”.

Sábado, 17 de Outubro de 2009
 Fortaleza-Ceará: três da manhã. Desembarquei há pouco, preenchendo inúmeros questionários, incluindo aquele da gripe suína. Nesta viagem constatei as reais peripécias de um vôo com preço baixo no último minuto. Não é a síndrome do jet-lag que me incomoda mas a soma dos atrasos, o horário inconveniente e a impossibilidade de me comunicar com quem me esperava há tanto tempo, mesmo não falando o português.
Nessas mesmas poltronas,  anos atrás, acampei por horas e horas de espera. Os braços me acolhem como um peregrino conhecido: parecem pequenos braços de Morfeu.
Marina, da organização Spinelli, não pode estar em plena noite. A passagem está com ela e daqui uma hora abre o check-in para Teresina. Depois tudo se resolve, um profundo suspiro, um café,  um abraço, e a despedida com um até logo, daqui uma semana. Pobrezinha, já esteve no aeroporto cinco vezes desde ontem à tarde!
Mais uma confirmação da hospitalidade e disponibilidade brasileiras. Chego a Teresina/Piauí no horário. Pelo vidro, vejo D. Sandro. Não me sinto em forma. Será a viagem? Com sua velhíssima pick-up, saímos rapidamente para o Centro Comunitário Canaã no Maranhão, onde também fica o seu eremitério. Canaã fica a cinquenta quilômetros de Teresina e se chega lá através das longas pontes sobre o Rio Parnaíba, que faz a fronteira do estado.
Estou aqui com um objetivo bem preciso. Não há um momento a perder: quero viver intensamente estes momentos para poder descrevê-los aos amigos e estar com ele para qualquer eventualidade. Sei perfeitamente que não está convencido de participar da cerimônia.
Reencontro Julio, que toca Canaã para frente, junto com Francisco. Julio tem duas crianças que eu conheço: Natanaele e Valeria, a qual cinco anos atrás estava nos braços da mãe, Janaína.
O Centro Comunitário
Está ocupado por um bom grupo – quase todas moças – com alguns responsáveis de uma igreja pentecostal. De “igrejas” o Brasil é cheio. Eles estão aqui em retiro sob o tema “Encontremos Deus”. Canaã é uma espécie de lugar ecumênico onde muitos grupos e seitas protestantes se alternam.
Curiosamente, os católicos, aos quais pertence, são os menos assíduos. No dia seguinte, no almoço, todos nós juntamente com Júlio, temos jeito de comentar negativamente alguns aspectos do encontro porque “sentimos” os efeitos. De noite, se sucedem gritos, berros e barulhos de forma exasperada e incompreensível.
Não creio que esteja muito distante de compreender que qualquer mente frágil, submissa e plagiada esteja à mercê e em luta contra o demônio e queira “libertar-se” clamorosamente.
 Canaã está morrendo?
 De repente percebo que há alguma coisa estranha, que está errada. Canaã não é mais aquela de antes. A vegetação luxuriante parece que desapareceu, ressecada e amarelada. O ar não está encharcado da frescura do verde vivo. Quase todas as plantas, mesmo aquelas mais altas e fortes, sofrem visivelmente. O cajueiro, que aqui impera, está  esparso, quase pelado de folhas.
Falo com D. Sandro que confirma todas as minhas e as suas preocupações. Por aqui há quinze dias e já está trabalhando com muito empenho . São dois os principais problemas: a falta de rega constante e metódica que Júlio e Francisco não podem garantir e, sobretudo o ataque dos cupins que devoram tudo o que for feito de madeira.
Mesmo a palmeira babaçu, a essência mais autóctone do nordeste brasileiro, é ferida de morte. Aos milhões, os cupins primeiro criam os túneis no terreno, como se fossem veias bem à vista, depois sobem pela planta, penetrando nos pontos fracos e a invadem definitivamente, criando enormes ninhos em posições estratégicas na convergência dos ramos principais.
A partir daquele momento não há nada a fazer se não engajando numa guerra total, a golpe de fogo e veneno. Que tristeza não poder ter combatido a tempo esse tremendo inimigo. Tenho certeza que se D. Sandro estivesse aqui, talvez se tivesse perdido uma batalha, mas não a guerra.
Missa e pequenas igrejas
De noite, em conjunto com a Vigília Missionária de Cernusco, à qual nos sentimos unidos, D. Sandro celebra a missa. A igrejinha foi reformada por Júlio, um mínimo de recinto e de sagrado. Algumas mulheres, muitas crianças e nenhum homem. Trazem as banquetas de casa para juntar aos bancos.
Para financiar os trabalhos, alguma mulher piedosa preparou um tipo de “happy-hour” à base de pastéis. Cabe a nós financiar com toda boa vontade a gulodice dos meninos!
As nuvens altas e muito brancas do céu do Piauí, que durante o dia se tornam um cenário fantástico para o fotógrafo e que apenas aparentemente parecem prontas a descarregar água – a esta hora são substituídas por milhares de estrelas muito brilhantes com o contraste ampliado da escuridão total. Uma coisa assim se via em Chiareggio nos anos sessenta. Neste ponto, recorro a essas observações de D. Sandro:
“Depois, à noite celebro a Eucaristia e me deixo transportar pela intimidade com o Senhor, experimentada na madrugada... sinto que Ele pode ainda me usar... sou ainda um instrumento útil nas suas mãos ... volto à casa onde estou hospedado, banhado de suor e contente; ainda é belo acreditar, ainda é fascinante fazê-Lo conhecido, ainda é estupendo cantá-Lo e celebrá-Lo.”
Penso nas pobres igrejinhas, antes a meta do cristianismo popular, agora esparsas entre os pequenos aglomerados. Muitas desabaram e estão inservíveis pelo mau tempo e pelo descuido. Neste clima nordestino há uma coisa que resiste sempre: o mandacaru. Uma essência natural que desenvolve uma flor branca apenas uma vêz ao ano. É o símbolo da resistência ilimitada e emblema perfeito adotado pelos homens nos tempos da ditadura.
Domingo, 18 de Outubro
Ainda é muito cedo. Escuto D. Sandro que está trabalhando. Duas horas atrás, olhando por entre as folhas, vi acesa a sua lamparina: medita, ora, e faz uma reflexão como de hábito, ao nascer de cada dia.
“Madrugada feita de verdade libertadora, tempo precioso de purificação, de graça. Há uma semana no Brasil, retomar o contato com o sol, com o calor, com a comida das pessoas, com os instrumentos rudimentares de trabalho... mas com alguns anos a mais... chego à noite muito cansado. Alegre encontro com o Senhor e com a verdade de mim mesmo. É sempre o tempo da madrugada. Tempo de graça, tempo de purificação.”
A alegria musical dos brasileiros no sábado se apagou ontem à noite com a minha fadiga. A luz do dia acorda o coração, braços e pernas. Cantam os galos de perto e os de longe. Canta o bem-te-vi.
Os cães brincam uns com os outros depois de haver latido a noite toda. Sempre de manhã sinto o aroma do cafezinho de D. Sandro feito na cafeteira sobre o fogareiro à álcool.
É o momento para uma atualização sobre as dificuldades de continuar  adiante com Canaã  (não sozinho) e sobre as suas “pequenas solidariedades”.
É incrível a força moral e física de D. Sandro, já pródiga nestes poucos dias desde a sua chegada, para distribuir auxílio rapidamente.
Com seu caderninho, faz a lista de todos os financiamentos prometidos e mantidos, alguns deles distantes centenas de quilômetros, dispersos entre o Piauí e o Maranhão.  Tanto que mereceria um capítulo e um detalhamento separados.
Reforma Agrária
Acompanhado de Júlio e Valeria, que não me deixa um minuto, documento um pedacinho de reforma agrária sobre os terrenos cedidos a Marcelo e Sebastião, não muito distantes de Canaã. Sobre os custos gerais da reforma agrária brasileira, D. Sandro é muito atualizado e recita cifras e números impressionantes. Assim como ele é consciente da diversidade de aplicações da reforma agrária, de estado para estado, com notáveis desigualdades.
Em resumo, percebo as enormes dificuldades de cultivar uma terra mal preparada, arenosa e árida como são todas as terras desapropriadas. É um problema enorme e insolúvel. Plantar uma muda de caju e maracujá requer suor, força e sangue.
Aqui também a solidariedade de D. Sandro se toca com a mão: sem a cisterna com água bombeada até aqui em cima do regato e depois deixada cair pela gravidade, nada seria possível. Os encanamentos são distribuídos até os canos capilares e estreitos que molham cada planta. Uma maravilha constatar um campo inteiro de melancias que estarão prontas para a feira em dez dias: são cultivadas através da rotação de culturas.
Desenvolvimento ou desastre?
Logo cedo D. Sandro quer que eu conheça de perto o resultado das monoculturas sem sentido, com espécies que não são da região. Enfrentamos o percurso subindo o Rio Parnaíba na parte norte do Maranhão por cerca de 150km, com a intenção de atravessar o rio de  balsa até Duque Barcelar e descer do Piauí na direção de Teresina.
Confesso que um desastre assim eu nem sequer imaginava. E ainda mais porque deveria ter compreendido através das imagens do Google que visitei antes: havia pensado que a fumaça dos incêndios eram nuvens brancas! A fumaça dos incêndios! Aqui para planejar e beneficiar se usa o fogo. Nenhum comentário meu pode substituir essas anotações de D. Sandro:
“Estas terras, faixas imensas que correm à beira dos rios Parnaíba, eram, até poucos anos atrás, imensas florestas de palmeiras de babaçu, florestas virgens, muito verdes e luxuriantes. Hoje, por quilômetros e mais quilômetros, encontro campos queimados de terra ainda fumegante por um incêndio interminável. O coração se entristece: é um imenso incêndio, quase um sacrifício, uma oferta sagrada ao deus de hoje: a agroindústria. Olhava os imensos campos já cultivados e os imensos campos queimados. Imaginava árvores agonizantes, pássaros e animais selvagens queimados vivos, o ar privado do frescor puro da vegetação virgem. Os eucaliptos e os bambús se transformarão em pasta de celulose. Cana de açúcar será bio-etanol para alimentar máquinas, automóveis e será um produto muito procurado nos mercados do primeiro mundo em substituição ao petróleo.”
Não renunciamos a cumprir todo o itinerário previsto. O por do sol se aproxima e o sol, no equador, se põe de repente. D. Sandro não gosta de dirigir quando está escuro. Voltamos para Canaã pela mesma estrada. Entre nós caiu um profundo silêncio meditativo.
 Segunda-feira, 19 de Outubro
É o dia! Ainda não sei se D. Sandro aceitará subir ao palco e encontrar as autoridades.  “Sem alarde” foi o último sermão pouco antes de partir. Vamos ver como será.
 Um copo de água fresca
Enquanto embaixo da varanda preparo a minha parafernália, ouço à distância um bater de palmas: alguém pede para entrar. Chamo Janaína porque não saberia como atender. Um jovem parcialmente incapacitado se aproxima. Provavelmente chega de longe, está ofegante e suado, pedala lentamente. Falam entre si e depois ela vai até a cozinha. Retorna com uma jarra de água gelada e um copo limpíssimo. Ele bebe dois de um só gole, agradece, se despede e vai embora.
É um gesto muito simples, uma doce troca, natural e belíssima que me faz pensar. Reflito sobre o nosso comportamento, as nossas reações, os nossos pensamentos quando alguém, talvez desconhecido, nos pede alguma coisa estendendo a sua mão...
 Granito Português
D. Sandro está trabalhando. Duas horas pela manhã e duas horas à tarde são dedicadas ao trabalho manual. A essa hora  o carvão feito em casa para o fogão começa a ser aceso para o almoço. Menos no domingo, também para a comida D. Sandro é totalmente auto-suficiente.
“Quatro paredes de madeira, uma mesinha, quatro banquinhos, um fogão à carvão, uma caixa de poliestireno como despensa. A Bíblia, o breviário, uma caneta, um caderno, um céu imenso, o sol ardente e a espera pela chuva sempre mais forte... entre essas pobres coisas escorre toda a riqueza sóbria e dura do silêncio e da solidão”.
Limpa até o fundo os sedimentos do reservatório de água, conserta canos e torneiras, cava e arruma as saídas obstruídas pela areia. De repente me pede um conselho técnico sobre o modo de realizar  um cimentado em volta da casa, como uma calçada. Concordamos que a solução seria na colocação de um cordão de contenção.
Então disse: “Seria preciso granito de Portugal”. Assim de cara não entendo o que me parece uma alusão externa, depois compreendo... D. Sandro, mesmo assim desprendido e impregnado da essencialidade de seu mundo e do seu modo concreto de ser, é muito bem informado sobre as questões de Cernusco, inclusive as obras públicas.
Se segue uma discussão imprevista mas em comum, baseada na negatividade de certos excessos nas obras públicas em andamento em Cernusco, muito longe da simplicidade das verdadeiras necessidades e com certeza muito caras. Enfeites em demasia, complicações, super-estruturas, super-mobiliário, excessos e desperdícios que nada têm de sóbrio e que requerem um empenho para manutenção no tempo bem superior ao normal. E paro por aqui.
O evento
D. Sandro se apresenta logo cedo com muita antecedência. Percebo que é convencido a “aceitar”: isso é confirmado também pela sua roupa. No entanto a pick-up não dá partida. Júlio se atrapalha com a teimosa ignição. Nas faces dos presentes posso ver a tensão.
Uma forte pancada de chuva tropical complica as coisas, sobretudo se durar algumas horas. Será que alguém teria mexido no veículo ou invocado os espíritos da chuva com “macumba” para não deixar D. Sandro chegar a Teresina?  Depois tudo se resolve com pulos de alegria e risadas: finalmente partimos.
Na pré-cerimônia,  um encontro com pessoas importantes e conhecidas. D. Sandro se demora de bom grado com um alto funcionário (ou ministro?) atualmente,  que no seu tempo o havia alertado sobre a “pressão” da ditadura a seu respeito. Agora é convidado a organizar um encontro de formação espiritual para a classe política do Piauí. Talvez seja por tudo isso que D. Sandro se acalma, aceitando a inevitabilidade do evento.
Sobre o palco, D. Sandro trata de sair da fila e colocar-se por último, como sempre faz nas comemorações. Movimento impraticável que o rígido protocolo corrige no último instante. O Governador, quando o abraça, parece particularmente envolvido, tanto que faz um ato significativo: durante o aplauso geral levanta a mão direita. Parece mais um gesto “libertador” que “reivindicatório”.
No final, rapidamente de volta para Canaã numa pick-up semi-nova colocada à disposição por Juan, seu velho amigo desde os tempos de Pimenteiras.
Terça-feira, 20 de Outubro
Álvaro, um dos amigos mais fiéis e membro da C. P. T. – Comissão Pastoral da Terra -, agora funcionário público com o qual foi acertado para que me acompanhasse ao acampamento dos Sem-terra de Teresina, não aparece. Estamos impossibilitados de comunicar por telefone e o celular de Julio, ligado à rede através de um alto poste, construído artesanalmente, está sem crédito.
Me chateia muito mas não há outro jeito. D. Sandro,  assim,  decide partir logo cedo. Inicia a fase de retorno. Deixo Canaã e os amigos com tristeza: haverá outra ocasião?
 Dona Aparecida
Percorremos de novo a Trans-Piauí, na direção nordeste, ao encontro do oceano. É uma estrada que conheço: Teresina, Altos, Campo Maior. Em Piripiri são já duzentos quilômetros. O calor é infernal mas sinto frio. O desvio para Pedro II e a sucessiva entrada no mais profundo sertão por um caminho acidentado nos leva à zona chamada Cangate, à casa de Dona Aparecida.
Aparecida é fortemente empenhada no social e é conhecida até fora das fronteiras nacionais. É convidada e participa de congressos também no exterior. Escreveu um livro: “Para ser uma mulher assim”,  apresentado por Cachoeira. Aparecida vive aqui com o marido Raimundo e a filha.
Com a ajuda dos frades Franciscanos alemães, propõe uma forte experiência de plantio no sertão. Também os amigos de Verona a ajudaram a fazer um poço para água corrente. Não falta a solidariedade de D. Sandro e é também por isso que passamos aqui.
Aqui tudo me parece duro, hostil, primordial... talvez sou eu que vejo tudo complicado pela minha má forma. Bem a tempo para um gole de água fresca, uma foto, um abraço e logo vamos embora: a noite chega depressa.
 O Anjo da Guarda
A dez quilômetros de Pedro II, em plena velocidade, a roda traseira direita da pick-up emprestada estoura e é quase que totalmente rasgada e dilacerada. O carro como que planou em direção ao acostamento, numa manobra  muito bem feita por D. Sandro: parou sem nenhum dano para nós, muito longe de qualquer centro habitado.
Do impenetrável sertão, de repente apareceu um rapazinho sorridente, como se esperasse há muito para nos ajudar a colocar o triângulo e trocar a roda. Naquele momento mesmo, de desânimo e medo, pensei na hora que aquele rapaz não é outro senão o nosso Anjo da Guarda.
Depois, por entre as nuvens negras que se vêem na direção de Pedro II, apareceu um arco-íris.
A noite passada com João Batista, a mais confortável entre lençóis brancos e amenidades, foi difícil por causa das tensões acumuladas, o medo que passamos, o cansaço e a febre. Não honrei esse meu amigo pintor e à sua família e devo pedir desculpas a ele assim que possível. O meu primeiro pensamento é aquele de não dar preocupações a D. Sandro por causa do retorno solitário e sem nenhum apoio, contando sobre os recursos pessoais.
Um trajeto tortuoso, complicado pela distância até Fortaleza. Horas e horas à noite, todo encapuzado como se estivesse sobre a Marmolada, e apertado em um ônibus totalmente gelado pelo ar-condicionado.
Rapazes holandeses, mais desvestidos do que vestidos, indo para Jericoacoara – o reino das dunas e de lagos entre a areia branquíssima, não se importam com nada, apesar do frio. Têm um físico...
 Quarta-feira, 21 de Outubro
 De Barra Grande, à beira-mar, D. Sandro parte novamente em plena noite para Canaã: um abraço comovido, um até breve, uma oração e um obrigado infindo. E que o Anjo da Guarda do sertão continue a acompanhá-lo e a apoiá-lo no difícil caminho da sua escolha. Que o siga sempre e constantemente, também dentro de sua casa.
“O eremitério não é um lugar, o eremitério não é uma casa, o eremitério não é um tempo, o eremitério não é um retiro. O eremitério não é nem mesmo um ritmo, um horário, um antes, um depois. O eremitério é um estilo, um modo de ser, uma presença, um existir, uma graça, é  ternura, é um silêncio profundo, permanente, é um colocar a própria alegria no estar com Ele, com os irmãos, por uma emoção imensa.”
Jamais pedi para entrar na casa de D. Sandro. Sempre fiquei na varanda, parado por causa de um temor inexplicável. Na próxima vêz que devesse passar por ali estarei decidido, e, mesmo na ausência de D. Sandro, baterei palmas pedindo: “Pode entrar?”.
Ficarei à espera da resposta até quando Alguém, que me conhece desde sempre e que me ouviu chegar de muito longe me responderá: “Sim pode!”.

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