2009 -
Pode entrar?
“Voz Amiga” Dezembro 2009
Na entrada de uma casa brasileira, para se
fazer anunciar, se bate palmas. Depois a
pergunta: “Pode entrar?” e a inevitável resposta é “Sim, pode!”.
Sábado,
17 de Outubro de 2009
Fortaleza-Ceará: três da manhã.
Desembarquei há pouco, preenchendo inúmeros questionários, incluindo aquele da
gripe suína. Nesta viagem constatei as reais peripécias de um vôo com preço
baixo no último minuto. Não é a síndrome do jet-lag que me incomoda mas a soma
dos atrasos, o horário inconveniente e a impossibilidade de me comunicar com
quem me esperava há tanto tempo, mesmo não falando o português.
Nessas mesmas poltronas, anos atrás, acampei por horas e horas de
espera. Os braços me acolhem como um peregrino conhecido: parecem pequenos
braços de Morfeu.
Marina, da organização Spinelli, não pode
estar em plena noite. A passagem está com ela e daqui uma hora abre o check-in
para Teresina. Depois tudo se resolve, um profundo suspiro, um café, um abraço, e a despedida com um até logo,
daqui uma semana. Pobrezinha, já esteve no aeroporto cinco vezes desde ontem à
tarde!
Mais uma confirmação da hospitalidade e
disponibilidade brasileiras. Chego a Teresina/Piauí no horário. Pelo vidro, vejo
D. Sandro. Não me sinto em forma. Será a viagem? Com sua velhíssima pick-up,
saímos rapidamente para o Centro Comunitário Canaã no Maranhão, onde também
fica o seu eremitério. Canaã fica a cinquenta quilômetros de Teresina e se
chega lá através das longas pontes sobre o Rio Parnaíba, que faz a fronteira do
estado.
Estou aqui com um objetivo bem preciso. Não
há um momento a perder: quero viver intensamente estes momentos para poder
descrevê-los aos amigos e estar com ele para qualquer eventualidade. Sei
perfeitamente que não está convencido de participar da cerimônia.
Reencontro Julio, que toca Canaã para
frente, junto com Francisco. Julio tem duas crianças que eu conheço: Natanaele
e Valeria, a qual cinco anos atrás estava nos braços da mãe, Janaína.
O
Centro Comunitário
Está ocupado por um bom grupo – quase todas
moças – com alguns responsáveis de uma igreja pentecostal. De “igrejas” o
Brasil é cheio. Eles estão aqui em retiro sob o tema “Encontremos Deus”. Canaã
é uma espécie de lugar ecumênico onde muitos grupos e seitas protestantes se
alternam.
Curiosamente, os católicos, aos quais
pertence, são os menos assíduos. No dia seguinte, no almoço, todos nós
juntamente com Júlio, temos jeito de comentar negativamente alguns aspectos do
encontro porque “sentimos” os efeitos. De noite, se sucedem gritos, berros e
barulhos de forma exasperada e incompreensível.
Não creio que esteja muito distante de
compreender que qualquer mente frágil, submissa e plagiada esteja à mercê e em
luta contra o demônio e queira “libertar-se” clamorosamente.
Canaã
está morrendo?
De repente percebo que há alguma coisa estranha,
que está errada. Canaã não é mais aquela de antes. A vegetação luxuriante
parece que desapareceu, ressecada e amarelada. O ar não está encharcado da
frescura do verde vivo. Quase todas as plantas, mesmo aquelas mais altas e
fortes, sofrem visivelmente. O cajueiro, que aqui impera, está esparso, quase pelado de folhas.
Falo com D. Sandro que confirma todas as
minhas e as suas preocupações. Por aqui há quinze dias e já está trabalhando
com muito empenho . São dois os principais problemas: a falta de rega constante
e metódica que Júlio e Francisco não podem garantir e, sobretudo o ataque dos
cupins que devoram tudo o que for feito de madeira.
Mesmo a palmeira babaçu, a essência mais
autóctone do nordeste brasileiro, é ferida de morte. Aos milhões, os cupins
primeiro criam os túneis no terreno, como se fossem veias bem à vista, depois
sobem pela planta, penetrando nos pontos fracos e a invadem definitivamente,
criando enormes ninhos em posições estratégicas na convergência dos ramos
principais.
A partir daquele momento não há nada a
fazer se não engajando numa guerra total, a golpe de fogo e veneno. Que tristeza
não poder ter combatido a tempo esse tremendo inimigo. Tenho certeza que se D.
Sandro estivesse aqui, talvez se tivesse perdido uma batalha, mas não a guerra.
Missa
e pequenas igrejas
De noite, em conjunto com a Vigília
Missionária de Cernusco, à qual nos sentimos unidos, D. Sandro celebra a missa.
A igrejinha foi reformada por Júlio, um mínimo de recinto e de sagrado. Algumas
mulheres, muitas crianças e nenhum homem. Trazem as banquetas de casa para
juntar aos bancos.
Para financiar os trabalhos, alguma mulher
piedosa preparou um tipo de “happy-hour” à base de pastéis. Cabe a nós
financiar com toda boa vontade a gulodice dos meninos!
As nuvens altas e muito brancas do céu do
Piauí, que durante o dia se tornam um cenário fantástico para o fotógrafo e que
apenas aparentemente parecem prontas a descarregar água – a esta hora são
substituídas por milhares de estrelas muito brilhantes com o contraste ampliado
da escuridão total. Uma coisa assim se via em Chiareggio nos anos sessenta. Neste
ponto, recorro a essas observações de D. Sandro:
“Depois,
à noite celebro a Eucaristia e me deixo transportar pela intimidade com o
Senhor, experimentada na madrugada... sinto que Ele pode ainda me usar... sou
ainda um instrumento útil nas suas mãos ... volto à casa onde estou hospedado,
banhado de suor e contente; ainda é belo acreditar, ainda é fascinante fazê-Lo
conhecido, ainda é estupendo cantá-Lo e celebrá-Lo.”
Penso nas pobres igrejinhas, antes a meta do
cristianismo popular, agora esparsas entre os pequenos aglomerados. Muitas
desabaram e estão inservíveis pelo mau tempo e pelo descuido. Neste clima
nordestino há uma coisa que resiste sempre: o mandacaru. Uma essência natural
que desenvolve uma flor branca apenas uma vêz ao ano. É o símbolo da
resistência ilimitada e emblema perfeito adotado pelos homens nos tempos da
ditadura.
Domingo,
18 de Outubro
Ainda é muito cedo. Escuto D. Sandro que
está trabalhando. Duas horas atrás, olhando por entre as folhas, vi acesa a sua
lamparina: medita, ora, e faz uma reflexão como de hábito, ao nascer de cada
dia.
“Madrugada
feita de verdade libertadora, tempo precioso de purificação, de graça. Há uma
semana no Brasil, retomar o contato com o sol, com o calor, com a comida das
pessoas, com os instrumentos rudimentares de trabalho... mas com alguns anos a
mais... chego à noite muito cansado. Alegre encontro com o Senhor e com a
verdade de mim mesmo. É sempre o tempo da madrugada. Tempo de graça, tempo de
purificação.”
A alegria musical dos brasileiros no sábado
se apagou ontem à noite com a minha fadiga. A luz do dia acorda o coração,
braços e pernas. Cantam os galos de perto e os de longe. Canta o bem-te-vi.
Os cães brincam uns com os outros depois de
haver latido a noite toda. Sempre de manhã sinto o aroma do cafezinho de D. Sandro
feito na cafeteira sobre o fogareiro à álcool.
É o momento para uma atualização sobre as
dificuldades de continuar adiante com Canaã (não sozinho) e sobre as suas “pequenas
solidariedades”.
É incrível a força moral e física de D.
Sandro, já pródiga nestes poucos dias desde a sua chegada, para distribuir auxílio
rapidamente.
Com seu caderninho, faz a lista de todos os
financiamentos prometidos e mantidos, alguns deles distantes centenas de
quilômetros, dispersos entre o Piauí e o Maranhão. Tanto que mereceria um capítulo e um
detalhamento separados.
Reforma
Agrária
Acompanhado de Júlio e Valeria, que não me
deixa um minuto, documento um pedacinho de reforma agrária sobre os terrenos
cedidos a Marcelo e Sebastião, não muito distantes de Canaã. Sobre os custos
gerais da reforma agrária brasileira, D. Sandro é muito atualizado e recita
cifras e números impressionantes. Assim como ele é consciente da diversidade de
aplicações da reforma agrária, de estado para estado, com notáveis
desigualdades.
Em resumo, percebo as enormes dificuldades
de cultivar uma terra mal preparada, arenosa e árida como são todas as terras
desapropriadas. É um problema enorme e insolúvel. Plantar uma muda de caju e
maracujá requer suor, força e sangue.
Aqui também a solidariedade de D. Sandro se
toca com a mão: sem a cisterna com água bombeada até aqui em cima do regato e
depois deixada cair pela gravidade, nada seria possível. Os encanamentos são
distribuídos até os canos capilares e estreitos que molham cada planta. Uma
maravilha constatar um campo inteiro de melancias que estarão prontas para a
feira em dez dias: são cultivadas através da rotação de culturas.
Desenvolvimento
ou desastre?
Logo cedo D. Sandro quer que eu conheça de
perto o resultado das monoculturas sem sentido, com espécies que não são da
região. Enfrentamos o percurso subindo o Rio Parnaíba na parte norte do
Maranhão por cerca de 150km, com a intenção de atravessar o rio de balsa até Duque Barcelar e descer do Piauí na
direção de Teresina.
Confesso que um desastre assim eu nem
sequer imaginava. E ainda mais porque deveria ter compreendido através das
imagens do Google que visitei antes: havia pensado que a fumaça dos incêndios
eram nuvens brancas! A fumaça dos incêndios! Aqui para planejar e beneficiar se
usa o fogo. Nenhum comentário meu pode substituir essas anotações de D. Sandro:
“Estas
terras, faixas imensas que correm à beira dos rios Parnaíba, eram, até poucos
anos atrás, imensas florestas de palmeiras de babaçu, florestas virgens, muito
verdes e luxuriantes. Hoje, por quilômetros e mais quilômetros, encontro campos
queimados de terra ainda fumegante por um incêndio interminável. O coração se
entristece: é um imenso incêndio, quase um sacrifício, uma oferta sagrada ao
deus de hoje: a agroindústria. Olhava os imensos campos já cultivados e os
imensos campos queimados. Imaginava árvores agonizantes, pássaros e animais
selvagens queimados vivos, o ar privado do frescor puro da vegetação virgem. Os
eucaliptos e os bambús se transformarão em pasta de celulose. Cana de açúcar
será bio-etanol para alimentar máquinas, automóveis e será um produto muito
procurado nos mercados do primeiro mundo em substituição ao petróleo.”
Não renunciamos a cumprir todo o itinerário
previsto. O por do sol se aproxima e o sol, no equador, se põe de repente. D.
Sandro não gosta de dirigir quando está escuro. Voltamos para Canaã pela mesma
estrada. Entre nós caiu um profundo silêncio meditativo.
Segunda-feira,
19 de Outubro
É o dia! Ainda não sei se D. Sandro
aceitará subir ao palco e encontrar as autoridades. “Sem alarde” foi o último sermão pouco antes
de partir. Vamos ver como será.
Um
copo de água fresca
Enquanto embaixo da varanda preparo a minha
parafernália, ouço à distância um bater de palmas: alguém pede para entrar. Chamo
Janaína porque não saberia como atender. Um jovem parcialmente incapacitado se
aproxima. Provavelmente chega de longe, está ofegante e suado, pedala
lentamente. Falam entre si e depois ela vai até a cozinha. Retorna com uma
jarra de água gelada e um copo limpíssimo. Ele bebe dois de um só gole,
agradece, se despede e vai embora.
É um gesto muito simples, uma doce troca,
natural e belíssima que me faz pensar. Reflito sobre o nosso comportamento, as
nossas reações, os nossos pensamentos quando alguém, talvez desconhecido, nos
pede alguma coisa estendendo a sua mão...
Granito
Português
D. Sandro está trabalhando. Duas horas pela
manhã e duas horas à tarde são dedicadas ao trabalho manual. A essa hora o carvão feito em casa para o fogão começa a
ser aceso para o almoço. Menos no domingo, também para a comida D. Sandro é
totalmente auto-suficiente.
“Quatro paredes de madeira, uma mesinha,
quatro banquinhos, um fogão à carvão, uma caixa de poliestireno como despensa.
A Bíblia, o breviário, uma caneta, um caderno, um céu imenso, o sol ardente e a
espera pela chuva sempre mais forte... entre essas pobres coisas escorre toda a
riqueza sóbria e dura do silêncio e da solidão”.
Limpa até o fundo os sedimentos do
reservatório de água, conserta canos e torneiras, cava e arruma as saídas
obstruídas pela areia. De repente me pede um conselho técnico sobre o modo de
realizar um cimentado em volta da casa,
como uma calçada. Concordamos que a solução seria na colocação de um cordão de
contenção.
Então disse: “Seria preciso granito de
Portugal”. Assim de cara não entendo o que me parece uma alusão externa, depois
compreendo... D. Sandro, mesmo assim desprendido e impregnado da essencialidade
de seu mundo e do seu modo concreto de ser, é muito bem informado sobre as questões
de Cernusco, inclusive as obras públicas.
Se segue uma discussão imprevista mas em
comum, baseada na negatividade de certos excessos nas obras públicas em
andamento em Cernusco, muito longe da simplicidade das verdadeiras necessidades
e com certeza muito caras. Enfeites em demasia, complicações, super-estruturas,
super-mobiliário, excessos e desperdícios que nada têm de sóbrio e que requerem
um empenho para manutenção no tempo bem superior ao normal. E paro por aqui.
O
evento
D. Sandro se apresenta logo cedo com muita
antecedência. Percebo que é convencido a “aceitar”: isso é confirmado também
pela sua roupa. No entanto a pick-up não dá partida. Júlio se atrapalha com a
teimosa ignição. Nas faces dos presentes posso ver a tensão.
Uma forte pancada de chuva tropical
complica as coisas, sobretudo se durar algumas horas. Será que alguém teria
mexido no veículo ou invocado os espíritos da chuva com “macumba” para não
deixar D. Sandro chegar a Teresina?
Depois tudo se resolve com pulos de alegria e risadas: finalmente
partimos.
Na pré-cerimônia, um encontro com pessoas importantes e
conhecidas. D. Sandro se demora de bom grado com um alto funcionário (ou
ministro?) atualmente, que no seu tempo
o havia alertado sobre a “pressão” da ditadura a seu respeito. Agora é
convidado a organizar um encontro de formação espiritual para a classe política
do Piauí. Talvez seja por tudo isso que D. Sandro se acalma, aceitando a
inevitabilidade do evento.
Sobre o palco, D. Sandro trata de sair da
fila e colocar-se por último, como sempre faz nas comemorações. Movimento
impraticável que o rígido protocolo corrige no último instante. O Governador,
quando o abraça, parece particularmente envolvido, tanto que faz um ato
significativo: durante o aplauso geral levanta a mão direita. Parece mais um
gesto “libertador” que “reivindicatório”.
No final, rapidamente de volta para Canaã numa
pick-up semi-nova colocada à disposição por Juan, seu velho amigo desde os
tempos de Pimenteiras.
Terça-feira,
20 de Outubro
Álvaro, um dos amigos mais fiéis e membro
da C. P. T. – Comissão Pastoral da Terra -, agora funcionário público com o
qual foi acertado para que me acompanhasse ao acampamento dos Sem-terra de
Teresina, não aparece. Estamos impossibilitados de comunicar por telefone e o celular
de Julio, ligado à rede através de um alto poste, construído artesanalmente,
está sem crédito.
Me chateia muito mas não há outro jeito. D.
Sandro, assim, decide partir logo cedo. Inicia a fase de
retorno. Deixo Canaã e os amigos com tristeza: haverá outra ocasião?
Dona
Aparecida
Percorremos de novo a Trans-Piauí, na
direção nordeste, ao encontro do oceano. É uma estrada que conheço: Teresina,
Altos, Campo Maior. Em Piripiri são já duzentos quilômetros. O calor é infernal
mas sinto frio. O desvio para Pedro II e a sucessiva entrada no mais profundo
sertão por um caminho acidentado nos leva à zona chamada Cangate, à casa de
Dona Aparecida.
Aparecida é fortemente empenhada no social
e é conhecida até fora das fronteiras nacionais. É convidada e participa de
congressos também no exterior. Escreveu um livro: “Para ser uma mulher assim”, apresentado por Cachoeira. Aparecida vive aqui
com o marido Raimundo e a filha.
Com a ajuda dos frades Franciscanos
alemães, propõe uma forte experiência de plantio no sertão. Também os amigos de
Verona a ajudaram a fazer um poço para água corrente. Não falta a solidariedade
de D. Sandro e é também por isso que passamos aqui.
Aqui tudo me parece duro, hostil,
primordial... talvez sou eu que vejo tudo complicado pela minha má forma. Bem a
tempo para um gole de água fresca, uma foto, um abraço e logo vamos embora: a
noite chega depressa.
O
Anjo da Guarda
A dez quilômetros de Pedro II, em plena
velocidade, a roda traseira direita da pick-up emprestada estoura e é quase que
totalmente rasgada e dilacerada. O carro como que planou em direção ao
acostamento, numa manobra muito bem
feita por D. Sandro: parou sem nenhum dano para nós, muito longe de qualquer
centro habitado.
Do impenetrável sertão, de repente apareceu
um rapazinho sorridente, como se esperasse há muito para nos ajudar a colocar o
triângulo e trocar a roda. Naquele momento mesmo, de desânimo e medo, pensei na
hora que aquele rapaz não é outro senão o nosso Anjo da Guarda.
Depois, por entre as nuvens negras que se
vêem na direção de Pedro II, apareceu um arco-íris.
A noite passada com João Batista, a mais
confortável entre lençóis brancos e amenidades, foi difícil por causa das
tensões acumuladas, o medo que passamos, o cansaço e a febre. Não honrei esse
meu amigo pintor e à sua família e devo pedir desculpas a ele assim que
possível. O meu primeiro pensamento é aquele de não dar preocupações a D.
Sandro por causa do retorno solitário e sem nenhum apoio, contando sobre os
recursos pessoais.
Um trajeto tortuoso, complicado pela
distância até Fortaleza. Horas e horas à noite, todo encapuzado como se
estivesse sobre a Marmolada, e apertado em um ônibus totalmente gelado pelo
ar-condicionado.
Rapazes holandeses, mais desvestidos do que
vestidos, indo para Jericoacoara – o reino das dunas e de lagos entre a areia
branquíssima, não se importam com nada, apesar do frio. Têm um físico...
Quarta-feira,
21 de Outubro
De Barra Grande, à beira-mar, D. Sandro
parte novamente em plena noite para Canaã: um abraço comovido, um até breve,
uma oração e um obrigado infindo. E que o Anjo da Guarda do sertão continue a
acompanhá-lo e a apoiá-lo no difícil caminho da sua escolha. Que o siga sempre
e constantemente, também dentro de sua casa.
“O
eremitério não é um lugar, o eremitério não é uma casa, o eremitério não é um
tempo, o eremitério não é um retiro. O eremitério não é nem mesmo um ritmo, um
horário, um antes, um depois. O eremitério é um estilo, um modo de ser, uma
presença, um existir, uma graça, é
ternura, é um silêncio profundo, permanente, é um colocar a própria
alegria no estar com Ele, com os irmãos, por uma emoção imensa.”
Jamais pedi para entrar na casa de D. Sandro.
Sempre fiquei na varanda, parado por causa de um temor inexplicável. Na próxima
vêz que devesse passar por ali estarei decidido, e, mesmo na ausência de D.
Sandro, baterei palmas pedindo: “Pode entrar?”.
Ficarei à espera da resposta até quando Alguém, que
me conhece desde sempre e que me ouviu chegar de muito longe me responderá:
“Sim pode!”.
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